Histórico

O ano era 1987, e a população mundial alcançava o numero incrível, pelo menos pra época, de cinco bilhões de pessoas espalhadas pelo globo terrestre. Os norte-americanos paravam para ouvir tocar nas rádios “La Bamba” – “Para bailar la bamba/ Para bailar la bamba/ Yo necesito de un poco de gracia/” – cantada pelo Trio Los Lobos enquanto aqui no Brasil o rock nacional ultrapassava todas as barreiras, e o hit da vez, era “Eduardo e Mônica”, cantado por Renato Russo, e sua Legião Urbana.

Nesse mesmo ano, o cinema era presenteado com “Dirty Dancing”, filme que emplacou a carreira de Patrick Swayze, e a música “(I’ve had) The Time of My Life”, que embalou os casais da época, e que décadas depois seria regravada pela banda de rap norte-americana, Black Eyed Peas.

As empresas de videogames, ainda iniciantes, exploravam novos produtos, e lançavam diversos jogos, a fim de reter uma parte mais significante da população. Foi assim que a Capcom, tentando alcançar o sucesso lançava diversos jogos, um deles, sem muitas expectativas: Street Fighter. Acontece que aquele jogo, a última cartada, iria revolucionar, e contribuir na evolução da indústria de jogos.

Indústria essa, que levaria centenas de jovens a ingressar num dos ramos mais inovadores, e promissores que estava surgindo: a informática. Nesse mesmo ano, uma revolução neste mercado acontecia: era lançado o computador TK3000 II. Chamado de sucessor do Apple II, ele vinha repleto de inovações, como por exemplo, o teclado numérico incorporado, e uma memória expansível de até 1 Mb. Isso mesmo. 1 Mb de expansão(!!!).

O ano de 1987 e a UFMA…

Graças ao desenvolvimento deste novo ramo, o projeto iniciado em 1984, por pedido do então Reitor José Maria Cabral Marques, e desenvolvido pelo Prof. Dr. João Fernando Ata de Oliveira Pantoja finalmente é concluído, e 1987 é marcado como o ano em que o digníssimo Curso de Ciência da Computação, entrou na grade de cursos oferecidos pela Universidade Federal do Maranhão.

O Curso de Ciência da Computação foi criado pela Resolução Nº 47/87 do CONSUN e o mesmo Conselho autorizou o início de seu funcionamento a partir do segundo semestre de 1987. Compreendendo um total mínimo de 3.915 horas e 226 créditos integralizáveis, sendo que seu tempo de conclusão é de, no mínimo, nove semestres e, no máximo, dezesseis semestres letivos.

A frente da coordenação estava o Prof. Raimundo Renato Patrício, que cuidou das instalações provisórias do curso, no local, hoje conhecido como CEB velho. O curso que na época era reconhecido como parte do DEMAT, contava ainda com Diógenes Carvalho Aquino, Gandra, José Henrique Marques Caracas e Fernando Ata de Oliveira Pantoja em sua administração.

No dia 17 de julho, os cidadãos maranhenses recebiam em seus jornais, uma folha especial. Saía o famoso Listão de Aprovados da UFMA. Dessa vez contando com alguns cursos a mais. O segundo curso da lista, era o de Ciência da Computação, ou melhor, “Ciências” da Computação, que contava com pouco mais de vinte aprovados.

Aqueles jovens talvez não estivessem totalmente preparados para aquele curso. Talvez, nem mesmo desconfiassem o que aprenderiam ali. As matérias variavam de Programação de Computadores, onde aprendiam LPS, á Linguagem de Programação I, II, e III(!), onde eram lecionados Fortran IV, Cobol, e Assembly. Os sistemas operacionais aprendidos eram o SOM, SOD, SPM, e inclusive o SOX. Tudo isso através dos famosos computadores Cobra, que preenchiam os laboratórios, e até mesmo a Biblioteca da Universidade.

O Prof. Raimundo Renato Patrício, permaneceu em seu cargo durante os dois anos seguintes, sendo substituído somente em 1993, pelo Prof. Jorge Henrique Marques Caracas. Além desse fato, o ano de 1993 foi marcante para o curso, porque finalmente, foi reconhecido pelo MEC. Dali em diante, o curso carregaria consigo o título de Bacharelado. Também em 1993, precisamente no dia 16 de abril, acontecia a formatura da primeira turma de Ciência da Computação.

O ano de 1987 e 25 anos depois…

Vinte e cinco anos se passaram de 1987 para cá. Os computadores evoluíram, as pessoas mudaram, o Trio Los Lobos é desconhecido da maior parte da população, Renato Russo morreu, e sua Legião Urbana, agora é um mito. O que anda na boca do povo é o chamado sertanejo universitário, e Street Fighter já está em sua quarta sequência. Os computadores estão sendo substituídos gradualmente por notebooks, e os computadores mais “ultrapassados” de sistema 32 bits possuem memória expansível de até 4 Gb.

Dizem que o mundo evoluiu. Bem, as pessoas, dizem que também evoluíram. A única certeza é que o tempo passou, e o ano de 2012 se converte para alguns como o fim do mundo, enquanto que para outros se trata de apenas de mais um, entre os que vieram, e os que virão. Para os aprovados no vestibular, simboliza o começo do futuro. Para a UFMA, significa um ano de mudanças. E para o curso de Ciência da Computação, significa 25 anos de um trabalho que valeu a pena.

 O curso que começou apenas como mais um oferecido pelo DEMAT, em quase sete anos, evoluiu de uma coordenação (COCOM), e ganhou seu próprio departamento, o DEINF. Ganhou seus próprios laboratórios, consta com mais 4 doutores em sua base, e coordena diversos eventos que têm lugar garantido no calendário de todos os programadores, e “curiosos” do próprio estado, e até mesmo de alguns estados vizinhos.

Incentivo a pesquisa cientifica com direitos a bolsas, e até mesmo a publicações durante a própria graduação. Além de contar com um PET, com mais de vinte alunos, incluindo bolsistas, e voluntários, participando ativamente. Por essas, e outros, que o curso, em seu aniversário de 25 anos, ganha a atenção da UFMA, e do Brasil, ao estar na célebre lista dos cursos “4 Estrelas” do Guia do Estudante. Indicativo de qualidade, e compromisso do Curso para com a sociedade, e principalmente com seus alunos.

Parabéns, ao curso de Ciência da Computação, pelos seus 25 anos, Jubileu de Prata. E que venham mais 25, 50, 70, e outras centenas de anos. Sempre mantendo o alto Coeficiente de Qualidade Nerd!

Marcos Vinícius Oliveira Sobrinho